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A correspondência ampla no Google Ads deixou de ser o que era. Com a migração para o AI Max, iniciada em 1º de setembro de 2026, a decisão sobre qual consulta aciona o seu anúncio passou de casamento de termos para interpretação de intenção.
Na prática, o relatório de termos de pesquisa ficou mais estranho de ler. Aparecem consultas que não têm nenhuma palavra em comum com a sua lista, e algumas delas convertem. Outras são lixo puro.
Este texto é sobre separar as duas coisas com método, em vez de sair negativando tudo que parece esquisito.
O que mudou na mecânica
Antes, ampla significava: a consulta tem alguma relação lexical com a minha palavra-chave. Sinônimo, variação, erro de digitação, termo próximo.
Agora significa: o sistema entende o que a pessoa quer e decide se a minha oferta responde àquilo. A relação pode não ter nenhuma palavra igual.
Um exemplo concreto: uma campanha de “conserto de máquina de lavar” pode passar a aparecer para “roupa não centrifuga”. Não há palavra em comum, e a intenção é a mesma.
Isso é ganho real. E é também a origem do ruído, porque o mesmo mecanismo que encontra “roupa não centrifuga” encontra “como consertar máquina de lavar sozinho”, que é alguém que não vai contratar ninguém.
Como ler o relatório de termos agora
O erro mais comum é olhar a lista e julgar por aparência. O certo é julgar por comportamento.
Separe os termos em quatro grupos:
| Grupo | O que fazer |
|---|---|
| Converteu | Deixar rodando, e considerar promover para exata |
| Clicou e não converteu, mas a intenção é certa | Deixar mais tempo, o volume é pequeno demais para julgar |
| Clicou e a intenção é claramente outra | Negativar |
| Só impressão, sem clique | Ignorar, não custa nada |
O quarto grupo é onde as pessoas perdem tempo. Termo que aparece e ninguém clica não custa dinheiro. Negativar isso é trabalho sem retorno.
Negativar com método
Frequência: semanal nas primeiras quatro semanas depois da migração, quinzenal depois disso. Antes do AI Max, mensal bastava.
Comece pelo custo, não pela lista alfabética. Ordene o relatório por investimento e olhe os vinte primeiros. É onde está o dinheiro.
Prefira negativa de frase a negativa exata. Negativar “grátis” em exata pega só a palavra sozinha. Em frase, pega todas as consultas que contêm a palavra, que é o que você quer na maioria dos casos.
Cuidado com a negativa larga demais. Negativar “barato” parece óbvio até você perceber que estava barrando “conserto barato e rápido”, que convertia.
Monte listas compartilhadas. Termos que não servem para nenhuma campanha (concurso, vaga de emprego, curso, PDF, como fazer sozinho) devem viver numa lista aplicada à conta inteira, não repetidos campanha a campanha.
As negativas que quase toda conta brasileira precisa
Ponto de partida, para adaptar ao seu caso:
- Intenção de aprender, não contratar: como fazer, tutorial, passo a passo, sozinho, caseiro, dicas
- Intenção de trabalhar, não comprar: vaga, emprego, salário, curso, certificação, concurso
- Intenção de gastar zero: grátis, gratuito, free, de graça
- Busca por material: pdf, download, planilha, modelo, template
- Segunda mão, quando você vende novo: usado, seminovo, olx
Isso costuma limpar boa parte do desperdício na primeira rodada.
Quando voltar para exata
Existe um caso legítimo de recuar, e é bom dizer isso com clareza.
Se a sua conta tem poucas conversões por mês, o sistema não recebe sinal suficiente para aprender qual intenção vale a pena. Ele explora, gasta, e não converge. Nesse cenário, uma estrutura de correspondência exata e frase dá previsibilidade que a ampla não entrega.
Leitura nossa: o divisor de águas costuma estar em torno de trinta conversões mensais por campanha. Acima disso, ampla com AI Max tende a encontrar demanda que você não mapeou. Abaixo, ela vira exploração cara.
E há um efeito colateral de ficar só na exata: campanhas exclusivamente de exata ou frase não entram na migração automática desta fase. Isso é controle, mas também é ficar de fora do que o sistema aprendeu.
O erro que vamos ver em setembro
Negativar por susto na primeira semana.
Nos primeiros dias, o relatório enche de termos novos e o custo por conversão sobe. Quem responde negativando cinquenta termos de uma vez está removendo tanto o ruído quanto o aprendizado, e a campanha volta ao ponto de partida sem ter descoberto nada.
O caminho é negativar o que é claramente errado, deixar rodar o que é duvidoso e julgar com duas a três semanas de dado.
Perguntas frequentes
O que mudou na correspondência ampla com o AI Max?
A decisão passou de casamento de termos para interpretação de intenção. O anúncio pode aparecer para consultas sem nenhuma palavra em comum com a sua lista, desde que o sistema entenda que a intenção é compatível.
Com que frequência devo revisar palavras negativas agora?
Semanalmente nas primeiras quatro semanas após a migração, e quinzenalmente depois. Antes do AI Max, mensal era suficiente.
Devo negativar todo termo estranho que aparecer?
Não. Termo que gera impressão e nenhum clique não custa nada. Priorize por investimento: ordene o relatório por custo e trate os vinte primeiros.
Vale voltar para correspondência exata?
Vale quando a campanha tem poucas conversões por mês, porque falta sinal para o sistema aprender e a exploração fica cara. Em torno de trinta conversões mensais por campanha costuma ser o divisor.
Negativa de frase ou exata?
Frase, na maioria dos casos. A negativa exata só bloqueia a consulta idêntica, enquanto a de frase pega todas que contêm o termo.
Por que meu custo por conversão subiu depois da migração?
Nas primeiras semanas o sistema explora consultas novas, e isso custa antes de render. Avalie com duas a três semanas de dado, não com três dias.
Faxina no relatório de termos
Revisamos o seu relatório de pesquisa desde a migração, montamos a lista de negativas compartilhada e definimos o critério de corte por custo, não por aparência.