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Migrar site WordPress é uma das operações em que mais se perde tráfego por descuido, e quase sempre pelo mesmo motivo: alguém trocou as URLs e não avisou o Google para onde elas foram.
O prejuízo não aparece no dia. Aparece três semanas depois, quando o tráfego orgânico cai e ninguém liga uma coisa à outra.
Este texto é o roteiro para migrar sem perder posição, seja troca de hospedagem, mudança de domínio ou site refeito do zero.
Os três tipos de migração, e o risco de cada um
| Tipo | O que muda | Risco |
|---|---|---|
| Troca de hospedagem | Só o servidor | Baixo, se as URLs forem idênticas |
| Site refeito, mesmo domínio | Estrutura e URLs | Alto |
| Mudança de domínio | O endereço inteiro | Alto |
O risco não vem do tamanho do projeto. Vem de quantas URLs mudam. Uma troca de servidor com URLs idênticas é quase inofensiva. Um redesenho que renomeia trinta páginas é onde o tráfego some.
O que fazer antes de tocar em qualquer coisa
1. Levante todas as URLs que existem hoje
Exporte a lista completa: páginas, posts, categorias, tags, arquivos de mídia que recebem link. O Search Console e um rastreador do site dão isso.
Esta é a etapa que mais se pula e a que mais custa. Sem a lista do que existe, não há como garantir que tudo tenha destino.
2. Anote as posições atuais
Puxe do Search Console as consultas e posições dos últimos três meses. Sem essa foto, você não vai conseguir provar se a migração ajudou, atrapalhou ou foi neutra.
3. Meça a velocidade atual
Registre o dado de campo antes. Migração é a hora certa de melhorar performance, e vale saber de onde você partiu.
4. Faça backup completo, e teste o backup
Backup que ninguém restaurou é hipótese, não garantia.
O mapa de redirecionamentos
É o coração da migração. Uma planilha com duas colunas: URL antiga, URL nova.
Regras que evitam problema:
Um destino por origem. Toda URL antiga aponta para uma nova, e para uma só.
Redirecionamento 301, não 302. O 301 é permanente e transfere o sinal acumulado. O 302 é temporário e não transfere direito.
Sem corrente de redirecionamento. A URL antiga vai direto para o destino final, não para outra que redireciona de novo. Corrente perde força e velocidade a cada salto.
Página que sumiu vai para o equivalente mais próximo, não para a home. Mandar tudo para a home é o atalho preguiçoso: o Google lê como conteúdo que deixou de existir, e o sinal se perde.
Não redirecione o que não mudou. URL que continua igual não precisa de regra.
No dia da virada
- Suba o site novo com os redirecionamentos já configurados
- Confira que o
robots.txtnão está bloqueando o site inteiro, erro clássico de ambiente de teste que vai para produção - Verifique se as páginas não estão com
noindexherdado do ambiente de homologação - Teste uma amostra de vinte URLs antigas e confirme que chegam ao destino certo
- Atualize o sitemap e envie no Search Console
- Peça indexação das páginas principais
Os itens 2 e 3 derrubam site inteiro do índice. São dois cliques esquecidos que custam meses.
Nas semanas seguintes
Dias 1 a 7: acompanhe erros de rastreamento no Search Console. Todo 404 que aparecer é uma URL que ficou fora do mapa.
Dias 7 a 30: é normal oscilar. O Google precisa rastrear tudo de novo e reprocessar os sinais. Queda nesse período não significa fracasso.
Dias 30 a 60: aqui já dá para comparar com a foto que você tirou antes. Se as posições não voltaram, o problema é real e precisa de investigação.
Nunca remova os redirecionamentos. Eles ficam para sempre, ou pelo menos por anos. Sempre haverá alguém com o link antigo.
Os cinco erros que mais aparecem
1. Redirecionar tudo para a home. Perde o sinal de cada página.
2. Esquecer as imagens. Se a mídia mudou de endereço, links externos que apontavam para as suas imagens quebram.
3. Deixar o noindex do ambiente de teste. O site some do índice em dias.
4. Mudar URL sem necessidade. Se a estrutura antiga funcionava, mantenha. Slug bonito não vale o risco de migração.
5. Migrar em período de pico. Migrar em novembro, às vésperas da Black Friday, é escolher o pior momento possível para descobrir um problema.
O momento certo de migrar
Período de menor movimento do seu negócio, com pelo menos oito semanas de folga antes de qualquer data importante. Para a maioria do comércio, isso significa não migrar entre outubro e dezembro.
Se o site precisa ser refeito e a Black Friday está no caminho, a decisão honesta costuma ser: adie para janeiro, ou faça agora, ainda em setembro, com tempo de sobra para corrigir.
Perguntas frequentes
Migrar site WordPress faz perder posição no Google?
Não necessariamente. A perda acontece quando URLs mudam sem redirecionamento 301 correto. Migração com mapa completo de redirecionamentos costuma ser neutra ou positiva.
Qual redirecionamento usar, 301 ou 302?
301, que é permanente e transfere o sinal acumulado pela URL antiga. O 302 é temporário e não faz essa transferência de forma confiável.
Posso redirecionar tudo para a home?
Não. O Google interpreta como conteúdo que deixou de existir e o sinal de cada página se perde. Cada URL antiga deve apontar para o equivalente mais próximo.
Quanto tempo demora para o tráfego voltar ao normal?
De 30 a 60 dias em uma migração bem feita. Oscilação nas primeiras semanas é esperada, porque o Google precisa rastrear e reprocessar tudo.
Quando não devo migrar?
Em período de pico do negócio. Para o comércio, isso significa evitar de outubro a dezembro. Migre com pelo menos oito semanas de folga antes de qualquer data importante.
Preciso manter os redirecionamentos para sempre?
Na prática, sim, ou por vários anos. Sempre existirá alguém com o link antigo, em um e-mail, em um marcador ou em um site que te citou.
Migração com mapa de redirecionamentos
Levantamos todas as URLs, montamos o mapa um a um, medimos as posições antes e acompanhamos o Search Console nas semanas seguintes até o tráfego estabilizar.