Neste artigo
- Quais páginas um site para arquiteto precisa ter?
- Como montar a página de cada projeto?
- O que o CAU exige na divulgação do trabalho?
- Quem é dono do projeto e das fotos publicadas?
- Como publicar muitas fotos sem pesar o site?
- Como o site gera pedido de orçamento?
- Para quem um site próprio vale a pena, e para quem não vale?
- Quanto custa um site para arquiteto?
Site para arquiteto funciona quando é organizado por projeto, e não como um álbum de fotos soltas. Cada projeto ganha a própria página, com o problema do cliente, a solução, as imagens e a identificação de quem fez o quê. Em volta disso vêm poucas páginas: sobre o escritório, serviços, processo de trabalho e contato com um formulário que já filtra o tipo de pedido.
Existe uma parte que não é opcional. A Lei 12.378/2010 obriga o arquiteto a indicar, em peças publicitárias e em qualquer elemento de comunicação dirigido ao público, o nome do autor, o número de registro no CAU e a atividade desenvolvida. O site é um desses elementos. Este texto mostra a estrutura, o que as normas do CAU pedem na divulgação, como publicar fotos grandes sem deixar a página lenta e como transformar visita em pedido de orçamento.
Neste artigo:
- Quais páginas um site para arquiteto precisa ter
- Como montar a página de cada projeto
- O que o CAU exige na divulgação do trabalho
- Direito autoral do projeto e da fotografia
- Como publicar muitas fotos sem pesar o site
- Como o site gera pedido de orçamento
- Para quem vale a pena e quanto custa
Quais páginas um site para arquiteto precisa ter?
Menos do que parece. Um escritório pequeno se resolve com seis tipos de página:
| Página | Para que serve | O que não pode faltar |
|---|---|---|
| Início | Mostrar em segundos o tipo de trabalho e a região atendida | Três ou quatro projetos em destaque e um botão de contato |
| Projetos | Índice do portfólio, filtrável por tipologia | Residencial, comercial, interiores, reforma, conforme o que você faz |
| Página de cada projeto | Contar o caso e provar a autoria | Ficha técnica com responsável, registro no CAU e atividade |
| Sobre | Dizer quem assina e como o escritório pensa | Nome, título profissional e número de registro de cada arquiteto |
| Serviços e processo | Explicar etapas, prazos típicos e o que o cliente entrega | Como funciona a primeira reunião e o que é cobrado |
| Contato | Receber o pedido já qualificado | Formulário curto, WhatsApp, endereço e área de atendimento |
Blog é opcional. Ele ajuda quando você tem o que dizer sobre temas que o seu cliente pesquisa (reforma de apartamento, aprovação na prefeitura, escolha de revestimento), e atrapalha quando vira uma página parada com três textos de 2023.
Como montar a página de cada projeto?
A página de projeto é a que vende. É nela que o futuro cliente reconhece um problema parecido com o dele. Uma estrutura que funciona:
- Título com tipologia e lugar. “Casa térrea em Indaial” diz mais do que “Projeto Harmonia”.
- O ponto de partida. Terreno, família, orçamento, restrição. Duas ou três frases.
- A solução. O que foi decidido e por quê. É aqui que aparece o seu método.
- Imagens em sequência lógica. Fachada, acesso, áreas sociais, detalhes. Poucas e boas rendem mais que quarenta parecidas.
- Ficha técnica. Responsável técnico, título profissional, número de registro no CAU, atividade técnica (projeto arquitetônico, interiores, execução), coautores e colaboradores, crédito do fotógrafo, ano e cidade.
- Chamada para contato ligada ao tipo de projeto: “Quer um projeto parecido? Conte o seu caso.”
Leitura nossa: separe com clareza obra executada de proposta em imagem renderizada. Nos textos do CAU que lemos, não encontramos regra que proíba publicar um estudo não construído, mas o Código de Ética pede veracidade na divulgação (detalhes abaixo), e o cliente que visita a obra depois espera encontrar o que viu no site.
O que o CAU exige na divulgação do trabalho?
Três textos oficiais tratam disso. Todos foram lidos no Portal da Transparência do CAU/BR e no Planalto em 27 de setembro de 2026.
A lei: nome, registro e atividade
O art. 14 da Lei 12.378/2010 diz que é dever do arquiteto e urbanista, ou da sociedade de arquitetura, indicar “em documentos, peças publicitárias, placas ou outro elemento de comunicação dirigido a cliente, ao público em geral e ao CAU local” três dados: o nome civil ou razão social do autor e do executante (pode ser completo, abreviado, pseudônimo ou nome fantasia), o número do registro no CAU e a atividade a ser desenvolvida (Confirmado).
A Resolução CAU/BR nº 75/2014: como indicar
A Resolução nº 75/2014 detalha a regra (Confirmado):
- O art. 1º lista os dados: nome do responsável técnico, título profissional e número de registro no CAU, e atividade técnica desenvolvida, “em caracteres claramente legíveis”.
- O art. 11 aplica isso à divulgação de projeto, obra ou serviço “em jornais, revistas, televisão ou qualquer outro elemento de comunicação dirigida ao público em geral”.
- O art. 12 pede que as letras da indicação e a logomarca do arquiteto tenham, no mínimo, o mesmo tamanho das usadas para construtoras, incorporadoras, imobiliárias, agentes financeiros ou profissionais de outras profissões regulamentadas citados na mesma peça.
- O art. 14 considera infração indicar responsabilidade sem o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) correspondente, ou em desacordo com ele, e omitir o nome de arquiteto ou empresa de arquitetura que participou do trabalho divulgado.
O art. 3º chama essa indicação de “discreta e de caráter deontológico” e a descreve também como um direito do arquiteto de ter reconhecida a autoria.
O Código de Ética: veracidade e autoria
O Código de Ética e Disciplina (Resolução CAU/BR nº 52/2013) traz três itens que batem direto no portfólio (Confirmado):
- 3.2.8: ao “comunicar, publicar, divulgar ou promover seu trabalho”, o arquiteto deve considerar a veracidade das informações.
- 3.2.9: deve declarar-se impedido de assumir a autoria de trabalho que não tenha realizado.
- 5.2.12: deve reconhecer e registrar, em cada projeto, as situações de coautoria e outras participações.
Traduzindo para o site
| Onde | O que colocar |
|---|---|
| Rodapé de todas as páginas | Nome ou razão social, título profissional e número de registro no CAU |
| Página Sobre | Os mesmos dados de cada arquiteto que assina projetos |
| Ficha de cada projeto | Responsável, registro, atividade técnica, coautores e colaboradores |
| Projeto feito com construtora ou incorporadora | Seu nome e logo, no mínimo, do mesmo tamanho dos deles |
| Projeto em que você só fez uma parte | A parte que foi sua, e o nome de quem fez o resto |
Esta é a nossa leitura dos textos, não um parecer jurídico. As resoluções mudam: a própria Resolução 75 teve o art. 15 reescrito pela Resolução nº 198/2020. Antes de publicar, confira a versão vigente no portal do CAU/BR e tire dúvidas com o CAU do seu estado.
Quem é dono do projeto e das fotos publicadas?
A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998) protege, no art. 7º, tanto “os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à […] arquitetura” (inciso X) quanto “as obras fotográficas” (inciso VII) (Confirmado). Na prática, o portfólio junta dois autores: você, do projeto, e o fotógrafo, das imagens.
Duas consequências para o site:
Crédito do fotógrafo. O art. 79, § 1º, diz que a fotografia, “quando utilizada por terceiros, indicará de forma legível o nome do seu autor” (Confirmado). Coloque o crédito na ficha do projeto ou na legenda.
Licença por escrito. O art. 29 exige autorização prévia e expressa do autor para reproduzir a obra (Confirmado). Se você contratou o ensaio, combine em contrato onde as fotos podem ser usadas: site, redes, anúncio, publicação em revista.
Leitura nossa: peça também ao cliente, por escrito, autorização para publicar o interior da casa ou da empresa, e combine se o endereço ou o nome dele pode aparecer. Isso evita ter de tirar um projeto do ar depois.
Como publicar muitas fotos sem pesar o site?
Arquitetura vive de imagem grande, e imagem grande pesa. A boa notícia é que o problema tem solução técnica conhecida.
O indicador que mede isso é o LCP, o tempo até aparecer o maior elemento da tela, que em página de projeto quase sempre é a foto principal. O web.dev recomenda LCP de até 2,5 segundos, medido em 75% dos acessos, separando celular e computador (Confirmado). Quatro cuidados resolvem a maior parte:
1. Formato moderno. Segundo o web.dev, imagens WebP costumam ser de 25% a 35% menores que as equivalentes em JPEG e PNG (Confirmado).
2. Tamanho certo para cada tela. O atributo srcset entrega várias versões da mesma foto e deixa o navegador escolher a adequada, como explica o guia de imagens responsivas do web.dev. O celular não precisa baixar a versão de 3.000 pixels.
3. Carregamento sob demanda, menos na primeira foto. O loading="lazy" adia as imagens que estão fora da tela. O próprio guia do web.dev alerta para não usar isso em imagens que aparecem na primeira tela, especialmente a do LCP (Confirmado). A foto de abertura carrega normal; a galeria abaixo, sob demanda.
4. Galeria sem pilha de plugins. Cada plugin de galeria, slider e efeito acrescenta código que o visitante baixa. Na nossa operação, entregamos sites em WordPress sem construtor visual e sem pilha de plugins, com nota de performance acima de 90 no PageSpeed. O efeito de cada segundo a mais em contato está em velocidade do site e conversão.
E para aparecer no Google Imagens?
A documentação do Google sobre imagens orienta usar texto alternativo descritivo, colocar a imagem perto de texto relevante e dar ao arquivo um nome que descreva o assunto (Confirmado). Na prática: “sala-integrada-casa-terrea-indaial.webp” em vez de “IMG_4821.jpg”, e um parágrafo sobre o projeto perto das fotos. O mesmo documento avisa contra excesso de palavra-chave no texto alternativo.
Como o site gera pedido de orçamento?
Portfólio bonito sem caminho de contato é revista. Três peças fazem a ponte:
Formulário que qualifica. Quatro perguntas bastam: tipo de projeto, cidade, metragem aproximada e prazo desejado. Quem responde já se filtrou, e você chega na primeira conversa sabendo do que se trata. Leitura nossa: pedir faixa de investimento assusta parte das pessoas; teste com e sem.
WhatsApp com contexto. O botão da página de um projeto residencial pode abrir a conversa já com “Vi o projeto da casa térrea e quero um orçamento”. Você sabe de onde veio o contato sem perguntar.
Perfil da Empresa no Google. Quem procura “arquiteto em Blumenau” costuma encontrar perfis de empresas no mapa da busca. O perfil aponta para o site, e o site confirma o que o perfil promete. O passo a passo está em como configurar o Google Meu Negócio.
Para quem um site próprio vale a pena, e para quem não vale?
Leitura nossa, com o critério que usamos: seus clientes chegam só por indicação ou também procuram arquiteto no Google?
Vale a pena para quem quer sair da dependência de indicação, atende uma tipologia específica (clínicas, lojas, residências de alto padrão) que as pessoas pesquisam, ou pretende anunciar. Anúncio precisa de uma página de destino que mostre projetos parecidos com o que a pessoa procura, e perfil de rede social não faz esse papel com a mesma clareza.
Pode esperar quem está começando, tem dois ou três projetos para mostrar e vive de indicação de rede próxima. Aqui, um perfil bem cuidado nas redes e no Google resolve por enquanto. Quando o portfólio passar de seis ou oito projetos com boas fotos, o site passa a fazer sentido.
Não serve como substituto de fotos boas. Site rápido com imagem de celular escura continua não convencendo. Se o orçamento é curto, invista primeiro no ensaio fotográfico dos melhores projetos.
Quanto custa um site para arquiteto?
Usamos as faixas do nosso guia quanto custa criar um site: site institucional simples até R$ 4.500, institucional com SEO de R$ 4.500 a R$ 9.000 e projeto completo em agência de R$ 6.000 a R$ 15.000. Um portfólio de arquitetura com páginas de projeto bem feitas costuma ficar na faixa do institucional com SEO. Somam-se o domínio e a hospedagem, que são custo anual.
O que encarece é a quantidade de projetos a montar e o tratamento das imagens, não o número de páginas institucionais. Veja como trabalhamos em Criação de Sites e E-commerces.
Perguntas frequentes
O que um site para arquiteto precisa ter?
Página inicial com projetos em destaque, índice de projetos por tipologia, uma página para cada projeto com ficha técnica, página sobre com nome e registro no CAU de quem assina, página de serviços e processo, e contato com formulário curto e WhatsApp.
O CAU exige alguma informação no site do arquiteto?
Sim. A Lei 12.378/2010 (art. 14) e a Resolução CAU/BR nº 75/2014 exigem que peças publicitárias e elementos de comunicação dirigidos ao público indiquem o nome do responsável técnico, o título profissional, o número de registro no CAU e a atividade técnica, em caracteres legíveis. Confira a versão vigente no portal do CAU/BR.
Posso publicar fotos de um projeto feito em parceria?
Pode, desde que indique a parte que foi sua e o nome dos outros participantes. A Resolução 75 considera infração omitir o nome de arquiteto que participou do trabalho divulgado, e o Código de Ética pede registrar coautorias.
Preciso dar crédito ao fotógrafo no portfólio?
Sim. A Lei 9.610/1998, art. 79, § 1º, diz que a fotografia usada por terceiros deve indicar de forma legível o nome do autor. Combine também em contrato onde as fotos podem ser usadas.
Como colocar muitas fotos sem deixar o site lento?
Use WebP, que o web.dev indica ser de 25% a 35% menor que JPEG e PNG, entregue tamanhos diferentes por tela com srcset e carregue sob demanda as fotos fora da primeira tela, nunca a foto principal. A meta do web.dev é LCP de até 2,5 segundos.
Instagram não basta para um arquiteto?
Basta para quem vive de indicação e tem poucos projetos. Para quem quer ser encontrado no Google ou anunciar, o site mostra projetos organizados por tipologia, com ficha técnica e contato qualificado, o que a rede social não faz com a mesma clareza.
Seu portfólio organizado para trazer pedido de orçamento
Montamos o site com uma página por projeto, ficha técnica dentro das regras do CAU e fotos que carregam rápido no celular. Você chega à primeira reunião sabendo o tipo de projeto, a cidade e o prazo do cliente.
Fontes
- Lei 12.378/2010, Planalto (art. 14)
- Resolução CAU/BR nº 75/2014, Portal da Transparência do CAU/BR
- Resolução CAU/BR nº 52/2013, Código de Ética e Disciplina
- Lei 9.610/1998, Lei de Direitos Autorais, Planalto
- web.dev, Largest Contentful Paint (LCP)
- web.dev, Use WebP images
- web.dev, Serve responsive images
- web.dev, Browser-level image lazy loading
- Google Search Central, práticas recomendadas para imagens