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Aplicativo de delivery pode significar três coisas diferentes para quem tem restaurante: entrar em um marketplace (como o iFood), mandar fazer um app com a sua marca nas lojas da Apple e do Google, ou ter um site de pedidos que abre no celular e pode ser instalado na tela inicial. Para a maioria dos restaurantes pequenos e médios, a combinação que fecha a conta é marketplace para ser descoberto e site de pedidos próprio para o cliente que já conhece a casa. O app nativo só se justifica quando há muito pedido recorrente e dinheiro para manter o app vivo.
A diferença entre os três aparece em três lugares: quanto sai de cada pedido, quem fica com o contato do cliente e o que você precisa manter funcionando depois. Este texto mostra o que cada modelo exige, com as regras oficiais das lojas de aplicativos e a tabela pública de planos do iFood, conferidas em 27/09/2026.
Neste artigo:
- Os três modelos que o mercado chama de aplicativo de delivery
- O que o marketplace cobra
- O que um app próprio exige das lojas da Apple e do Google
- Site de pedidos: o app que não precisa ser baixado
- Comparação lado a lado
- Para quem serve cada modelo, e para quem não serve
- Como dividir os pedidos entre os canais
Quais são os modelos de aplicativo de delivery?
Marketplace. Um aplicativo que reúne muitos restaurantes, como o iFood. O cliente abre o app do marketplace, procura comida e escolhe entre várias casas. Você paga comissão por pedido e, em troca, aparece para gente que nunca ouviu falar de você.
App próprio (nativo). Um aplicativo com o nome e o ícone do seu restaurante, publicado na App Store e no Google Play. O cliente baixa, cria conta e pede só de você.
Site de pedidos (ou cardápio instalável). Uma página com cardápio, sacola e pagamento, que abre pelo navegador a partir de um link, do QR code na mesa, do Instagram ou do Google. Com a tecnologia de Progressive Web App (PWA), ela pode ser instalada na tela do celular e abrir em janela própria, como um app.
Se o mesmo cardápio digital for usado também no salão, pelo QR code na mesa, atenção em Santa Catarina: a Lei estadual 19.688/2026 obriga bares, restaurantes, lanchonetes e similares que usam cardápio digital (QR code, tablet, totem ou celular) a disponibilizar também o cardápio físico, sob pena de multa nos termos do Código de Defesa do Consumidor (Confirmado). Fora de SC, confira a lei do seu estado e do seu município.
Os três não se excluem. A pergunta útil não é “qual escolher”, e sim “qual canal atende qual cliente”.
Quanto custa vender pelo marketplace?
A tabela pública do iFood para restaurantes, na página oficial de planos, traz dois planos (Confirmado, conferido em 27/09/2026):
| Plano | Comissão sobre pedidos delivery | Taxa para pedidos pagos via iFood | Mensalidade | Quem entrega |
|---|---|---|---|---|
| Básico | 12% | 3,2% | R$ 110,00 | A sua loja |
| Entrega | 23% | 3,2% | R$ 150,00 | Entregadores parceiros do iFood |
A mesma página informa que a mensalidade vale para faturamento acima de R$ 1.800,00 por mês e que a disponibilidade do Plano Entrega depende da região, verificada no cadastro.
Para ter uma ideia do peso, a conta a seguir é nossa, supondo que comissão e taxa de pagamento incidam sobre o mesmo valor do pedido (confira a base no seu contrato). Em um pedido de R$ 60 pago pelo app, o Plano Básico retém R$ 9,12 (R$ 7,20 de comissão e R$ 1,92 de taxa), e o Plano Entrega retém R$ 15,72 (R$ 13,80 e R$ 1,92), antes da mensalidade. No Básico, a entrega continua sendo custo seu.
O detalhamento completo dos planos e a conta de margem por prato estão no post sobre a taxa do iFood. O ponto aqui é outro: esse percentual paga uma coisa que os outros dois modelos não entregam, que é a vitrine para quem ainda não conhece o restaurante.
O que um app próprio exige das lojas de aplicativos?
Quem vende app de delivery com a sua marca costuma falar do visual e dos recursos. O que quase nunca aparece na proposta são as regras das lojas, que valem para qualquer app.
Conta de desenvolvedor na Apple
Segundo a página de inscrição do Apple Developer Program, a anuidade é de 99 dólares por ano de associação, com preço que pode variar por região e aparece em moeda local na inscrição (Confirmado). Para inscrever uma empresa, a Apple exige que ela seja pessoa jurídica, tenha número D-U-N-S (identificador de nove dígitos da Dun & Bradstreet) e use e-mail no domínio da própria organização. O nome jurídico da empresa aparece como vendedor na App Store.
Esse detalhe importa: se o app for publicado na conta do fornecedor, e não na sua, o vendedor que aparece na loja é ele.
Conta de desenvolvedor no Google Play
O Google cobra uma taxa de inscrição única de US$ 25,00 para abrir a conta de desenvolvedor (Confirmado).
A regra de funcionalidade mínima e a regra dos apps de modelo
As diretrizes de revisão da App Store (versão atualizada em 8 de junho de 2026) trazem duas regras que afetam diretamente o app de restaurante (Confirmado):
- 4.2, funcionalidade mínima: o app deve ter recursos, conteúdo e interface que vão além de um site reempacotado. App que não for útil, único ou com cara de aplicativo pode não ser aceito.
- 4.2.6: apps criados a partir de um modelo comercial ou serviço gerador de apps serão rejeitados, a menos que sejam enviados diretamente pelo dono do conteúdo. A própria regra cita, como alternativa aceita, um app único que reúne vários clientes em formato de “seletor”, dando como exemplo um app localizador de restaurantes com páginas separadas para cada casa.
Traduzindo: aquele app “com a sua marca” que é o mesmo modelo para dezenas de restaurantes precisa ser enviado pela conta do restaurante, e mesmo assim precisa passar na regra 4.2. Pergunte ao fornecedor em qual conta o app será publicado e se ele já teve app rejeitado por essas regras.
A boa notícia: comida não paga comissão da loja
Muita gente desiste do app próprio achando que a Apple e o Google vão ficar com parte de cada pedido. Para comida, não ficam. A diretriz 3.1.3(e) da Apple diz que, quando o app vende bens físicos ou serviços consumidos fora do app, a cobrança deve usar métodos diferentes da compra dentro do app. E a política de pagamentos do Google Play afirma que o sistema de faturamento do Google Play não pode ser usado quando o pagamento é principalmente pela compra de serviços físicos, citando “entrega de comida” como exemplo (Confirmado). O pagamento passa pelo seu próprio meio de pagamento.
O que não dá para afirmar
Não existe levantamento público confiável de quanto custa desenvolver e manter um app de delivery no Brasil, nem de quantos clientes de restaurante baixam o app da casa e continuam usando. Desconfie de qualquer número redondo sobre isso. O que se sabe com certeza é o custo das contas nas lojas e o fato de que cada versão enviada à App Store passa pela revisão da Apple, inclusive as de correção de erro.
Site de pedidos: o app que não precisa ser baixado
O web.dev, do Google, define Progressive Web Apps como apps da web que alcançam qualquer usuário em qualquer dispositivo com uma única base de código. Quando instalado, o PWA sai do navegador para uma janela independente e pode ser aberto pela tela inicial, como qualquer app (Confirmado).
Para o restaurante, isso resolve o maior atrito do app nativo: o cliente não precisa ir à loja, baixar e criar conta para fazer o primeiro pedido. Ele toca no link e pede. Quem gosta, instala.
O que um bom site de pedidos precisa ter
Esta lista é a referência que usamos para avaliar um canal próprio de pedidos:
- Cardápio que abre rápido no celular e pode ser instalado (PWA)
- Personalização de produto: meio a meio, adicionais, ponto, observação
- Sacola com cupom de desconto
- Checkout em poucos passos, sem obrigar cadastro longo
- Entrega com taxa por bairro, retirada no balcão e consumo no local
- Pix com QR code e com código copia e cola, cartão e dinheiro com troco
- Acompanhamento do pedido em tempo real
- Painel da cozinha em colunas, com alerta sonoro para pedido novo
- Impressão térmica automática da comanda (58 e 80 mm)
- Agendamento de pedido para outro horário
- Botão de WhatsApp para dúvidas
O item do Pix copia e cola não é detalhe. O manual de padrões do Pix do Banco Central explica que ler o QR code é impraticável quando a pessoa compra pelo navegador do celular, porque o aparelho que leria o código é o mesmo que o exibe na tela. O copia e cola foi criado para esse caso (Confirmado). Pedido de delivery acontece quase sempre no celular.
Onde o site de pedidos aparece
No Perfil da Empresa no Google, a seção de pedido de comida permite adicionar links personalizados para pedidos e marcar um fornecedor ou link como preferencial para retirada e entrega. Esses links aparecem no perfil, na Pesquisa e no Maps (Confirmado). É o lugar onde muita gente procura o restaurante pelo nome, e o link do seu canal pode estar ali ao lado do marketplace.
O mesmo link vai na bio do Instagram, no QR code da embalagem e na mensagem automática do WhatsApp. O app WhatsApp Business é gratuito, segundo a Central de Ajuda do WhatsApp, e funciona bem como porta de entrada para o link de pedido.
Comparação lado a lado
| Critério | Marketplace | App próprio nativo | Site de pedidos (PWA) |
|---|---|---|---|
| Traz cliente novo sozinho | Sim, é o principal valor | Não | Não |
| Custo por pedido | Comissão e taxa da tabela da plataforma | Taxa do meio de pagamento | Taxa do meio de pagamento |
| Custo fixo conhecido | Mensalidade do plano | US$ 99 por ano (Apple) e US$ 25 uma vez (Google), mais desenvolvimento e manutenção | Hospedagem, domínio e o sistema de pedidos |
| Precisa baixar | Sim (o app da plataforma) | Sim | Não, instala se quiser |
| Passa por revisão de loja | Não (a plataforma cuida) | Sim, a cada versão enviada | Não |
| Onde a relação com o cliente acontece | Dentro do app da plataforma, pelas regras dela | No seu app | No seu site |
Para quem serve cada modelo, e para quem não serve?
O critério que usamos é de onde vem o seu pedido: de quem ainda não te conhece ou de quem já pediu antes?
Marketplace serve para quem está abrindo, mudando de bairro ou depende de descoberta. Não serve como único canal para quem já tem clientela fiel, porque você paga comissão também sobre o pedido de quem pediria de qualquer jeito.
Site de pedidos serve para quem já tem cliente recorrente, divulga no Instagram, tem movimento no balcão ou anuncia. É o canal para onde você leva o cliente que já te conhece. Não serve sozinho para quem ainda não tem ninguém para mandar até ele: sem divulgação, link próprio não recebe pedido.
App nativo serve para redes com volume alto de pedidos repetidos, programa de fidelidade que justifique notificações e orçamento para manter o app atualizado nas duas lojas. Não serve para restaurante de uma unidade que só quer “ter um app”: o cliente precisa baixar antes de pedir, e o site de pedidos entrega quase tudo sem esse passo.
Leitura nossa: quando o motivo real para “ter um aplicativo” é parar de pagar comissão no pedido de quem já é cliente, o site de pedidos resolve esse problema com menos custo e menos atrito.
Como dividir os pedidos entre os canais?
A divisão que costuma funcionar é simples: o marketplace traz o primeiro pedido, e a embalagem, o Instagram e o WhatsApp apresentam o canal próprio para o segundo. Um cupom exclusivo do site para a próxima compra ajuda a fazer a troca. Confira no contrato do marketplace o que ele permite divulgar dentro do pedido.
O canal próprio também é o destino natural do anúncio pago, porque o pedido não paga comissão. Na nossa operação, o custo por pedido em campanhas de delivery fica entre R$ 2 e R$ 3. É um dado das contas que gerimos, não uma promessa para outra operação: cada restaurante tem ticket, região e concorrência próprios.
O custo de montar esse canal entra na mesma conta de qualquer site, e as faixas estão em quanto custa criar um site. Se você ainda não tem cardápio on-line, comece pelo post sobre cardápio digital.
Perguntas frequentes
Vale a pena ter aplicativo de delivery próprio?
Depende do volume de pedidos recorrentes. Para restaurante de uma unidade, um site de pedidos instalável (PWA) costuma entregar o mesmo resultado sem obrigar o cliente a baixar nada. O app nativo faz sentido para redes com muito pedido repetido e orçamento para manter o app nas duas lojas.
Quanto a Apple e o Google cobram para publicar um app de restaurante?
A Apple cobra 99 dólares por ano no Apple Developer Program, com preço em moeda local na inscrição, e exige número D-U-N-S para empresas. O Google Play cobra uma taxa única de US$ 25,00 para abrir a conta de desenvolvedor. Isso não inclui desenvolvimento nem manutenção.
A Apple e o Google ficam com parte de cada pedido de comida feito no app?
Não. As regras da App Store mandam usar outro meio de pagamento para bens físicos e serviços consumidos fora do app, e a política do Google Play proíbe o faturamento da loja para serviços físicos, citando entrega de comida. O pedido é pago pelo seu meio de pagamento.
Quanto o iFood cobra do restaurante?
Na página oficial de planos, conferida em 27/09/2026: Plano Básico com 12% de comissão, 3,2% de taxa para pedidos pagos pelo iFood e mensalidade de R$ 110,00; Plano Entrega com 23%, 3,2% e R$ 150,00. A mensalidade vale para faturamento acima de R$ 1.800,00 por mês.
O que é um site de pedidos PWA?
É um site com cardápio, sacola e pagamento que abre pelo navegador e pode ser instalado na tela inicial do celular, abrindo em janela própria como um aplicativo. O cliente pede na primeira visita sem precisar baixar nada na loja de apps.
Posso usar marketplace e canal próprio ao mesmo tempo?
Pode, e é o arranjo mais comum. O marketplace traz clientes novos; o canal próprio recebe quem já conhece a casa, por meio de embalagem, Instagram, WhatsApp e do link de pedido no Perfil da Empresa no Google. Confira no contrato do marketplace o que é permitido divulgar.
Quer um canal de pedidos que é seu?
Montamos o site de pedidos do seu restaurante, com cardápio instalável, pagamento por Pix e integração com o seu WhatsApp, e deixamos a conta de anúncios pronta para mandar pedido para ele. Antes, conferimos com você quanto dos seus pedidos hoje vem de clientes que já pediram antes.
Fontes
- iFood para Restaurantes, planos e taxas
- Apple Developer, inscrição no Apple Developer Program
- Apple, diretrizes de revisão da App Store
- Google Play Console, taxa de inscrição da conta de desenvolvedor
- Google Play, política de pagamentos
- web.dev, o que são Progressive Web Apps
- Banco Central do Brasil, Manual de Padrões para Iniciação do Pix
- Ajuda do Perfil da Empresa no Google, gerenciar opções de entrega on-line
- Central de Ajuda do WhatsApp, sobre os produtos do WhatsApp Business
- Assembleia Legislativa de SC, Lei estadual 19.688/2026 (cardápio físico)