Neste artigo
- O que um sistema de delivery faz, do começo ao fim?
- Quais recursos um bom sistema de delivery precisa ter?
- Como o sistema recebe o pagamento?
- O que o sistema faz na cozinha?
- Onde o WhatsApp entra no sistema de delivery?
- Como o cliente chega ao sistema?
- O que a lei pede de um pedido on-line?
- Para quem serve um sistema de delivery próprio, e para quem ainda não serve?
- O que perguntar antes de contratar um sistema de delivery?
Sistema de delivery é o software que recebe o pedido do cliente pelo seu próprio link, calcula a entrega, cobra, avisa a cozinha, imprime a comanda e mostra ao cliente em que pé está o pedido. É o que substitui o “manda o cardápio aí” no WhatsApp por um fluxo em que o cliente monta o pedido sozinho e a loja só confirma e prepara.
A diferença para um marketplace de delivery é quem é dono do canal: no sistema próprio, o pedido chega no seu endereço, com os dados do cliente na sua base, e a cobrança é a que você combina com o fornecedor do sistema, e não a comissão do marketplace sobre cada pedido. Este texto mostra o caminho completo do pedido, os recursos que um bom sistema precisa ter, o que perguntar ao fornecedor e para quem vale a pena montar esse canal.
Neste artigo:
- O caminho do pedido, da vitrine à entrega
- Os recursos que um bom sistema precisa ter
- Pagamento: Pix, cartão e dinheiro
- Cozinha: painel, alerta e impressora
- Onde o WhatsApp entra, e quanto custa
- O que a lei pede de um pedido on-line
- Para quem serve, e para quem ainda não serve
- O que perguntar antes de contratar
O que um sistema de delivery faz, do começo ao fim?
Um pedido passa por cinco etapas, e o sistema precisa cobrir todas sem que alguém tenha de redigitar informação:
| Etapa | O que o cliente vê | O que a loja vê |
|---|---|---|
| Vitrine | Cardápio com fotos, categorias e busca, aberto no celular | Controle de loja aberta ou fechada e itens em falta |
| Montagem | Produto personalizado (meio a meio, adicionais), sacola com cupom | Nada ainda |
| Checkout | Entrega, retirada ou consumo no local, endereço, forma de pagamento | Pedido novo com alerta sonoro |
| Preparo | Status “na cozinha” | Comanda impressa e card no painel da cozinha |
| Entrega | Status “a caminho” e “entregue”, botão de WhatsApp para dúvida | Pedido movido de coluna até concluído |
Se alguma etapa depende de alguém copiar dado de uma tela para outra (endereço do WhatsApp para o caderno, pedido do celular para a impressora), ali está o erro de pedido e o atraso.
Quais recursos um bom sistema de delivery precisa ter?
Cardápio que abre no celular e pode ser instalado
O cliente pede pelo celular, então o cardápio precisa ser leve e abrir direto no navegador, sem obrigar a baixar nada. Uma boa opção é o formato de PWA (aplicativo web progressivo). Segundo o web.dev, do Google, PWAs são apps da web que, quando instaláveis, saem do navegador para uma janela própria e podem ser abertos pela tela inicial, como um aplicativo (Confirmado). Para o cliente frequente, é um atalho para repetir o pedido sem passar por loja de aplicativos. A comparação completa entre app próprio, site de pedidos e marketplace está em aplicativo de delivery.
Personalização de produto
Pizza meio a meio, hambúrguer com adicional pago, açaí com “escolha até três grátis”: o sistema precisa ter grupos de opções obrigatórias e opcionais, limite de escolhas e soma automática do que é cobrado. Sem isso, o cliente escreve tudo no campo de observação e a cozinha interpreta.
Sacola com cupom e checkout em poucos passos
A sacola mostra o resumo com os adicionais e aplica o cupom. O checkout pede só o necessário: identificação (com preenchimento automático para quem já pediu), modo de entrega e pagamento. Leitura nossa: cada campo a mais no checkout é um motivo a mais para o cliente desistir e voltar para o marketplace, onde o cadastro já está feito.
Entrega com taxa por bairro, retirada e consumo no local
A taxa por bairro calculada automaticamente evita a pergunta “quanto é a entrega para o bairro X?”, que atrasa a conversa em todo pedido. Retirada no balcão e consumo no local (mesa ou comanda) no mesmo sistema evitam ter uma ferramenta para cada canal. Pedido mínimo e tempo estimado de entrega configuráveis completam o básico.
Agendamento de pedido
Permitir que o cliente peça agora para receber em outro horário (a encomenda do almoço feita de manhã, o bolo da festa) é pedido garantido sem pico na cozinha.
Acompanhamento do pedido em tempo real
Uma linha do tempo com “recebido, na cozinha, a caminho, entregue”, atualizada sozinha, responde a pergunta que mais ocupa o telefone em horário de pico: “meu pedido já saiu?”.
Como o sistema recebe o pagamento?
As três formas que o cliente espera são Pix, cartão e dinheiro.
Pix. O Banco Central define o Pix como pagamento instantâneo que transfere dinheiro entre contas em segundos, 24 horas por dia, gratuito para pessoa física e de custo baixo para empresa (Confirmado). Para o delivery, o que importa são duas formas de iniciar o pagamento, descritas no Manual de Padrões para Iniciação do Pix:
- QR Code dinâmico: tem valor configurado e identificador da transação, o que permite conciliar o pagamento com o pedido. O estático tem funções mais restritas (Confirmado).
- Pix Copia e Cola: o manual explica que ler o QR Code é impraticável quando a pessoa está comprando no próprio celular, já que o aparelho não consegue ler um código mostrado na própria tela. O copia e cola resolve isso e funciona para QR Code estático e dinâmico (Confirmado).
Leitura nossa: como quase todo pedido de delivery é feito no celular, um sistema que só mostra o QR Code, sem o copia e cola, atrapalha justamente o cliente principal. E um sistema que gera cobrança com identificador por pedido poupa a conferência manual de comprovante no WhatsApp. Confira com o seu banco ou intermediário de pagamento qual tarifa ele cobra da empresa pelo Pix recebido: o Banco Central fala em custo baixo, não em custo zero.
Cartão na entrega e dinheiro com troco. O sistema precisa registrar a forma de pagamento e, no dinheiro, para quanto o cliente quer troco, para o entregador sair com o valor certo.
O que o sistema faz na cozinha?
Painel em colunas com alerta sonoro
O painel da cozinha organiza os pedidos em colunas (novos, em preparo, a caminho ou no balcão, concluídos), mostra há quanto tempo cada um está parado e toca um alerta quando entra pedido novo. É o que impede o pedido esquecido na tela do celular de alguém.
Impressão térmica automática
A comanda sai sozinha na impressora térmica assim que o pedido é confirmado, em duas vias: a da cozinha, focada em itens, adicionais e observações, e a da entrega, com endereço e forma de pagamento. Antes de contratar, confira se o sistema tem layout para a largura da bobina da sua impressora (por exemplo, 58 ou 80 mm) e se funciona com o modelo que você já tem.
PDV de balcão
Pedido feito no balcão ou pelo telefone precisa entrar no mesmo painel, com a mesma impressão. Senão a cozinha trabalha com duas filas e a loja perde o controle do que saiu.
Onde o WhatsApp entra no sistema de delivery?
Em dois pontos diferentes, com custos diferentes.
Botão para falar com a loja. Para dúvida sobre o pedido, basta um link. A Central de Ajuda do WhatsApp documenta o formato wa.me com o número em formato internacional e o parâmetro de mensagem pronta (Confirmado). Um link com o número do pedido já preenchido na mensagem economiza a primeira pergunta do atendente. O aplicativo WhatsApp Business, que a maioria das lojas usa para responder, é gratuito, segundo a Central de Ajuda do WhatsApp (Confirmado).
Mensagens automáticas de status pela API oficial. Se o sistema dispara sozinho “pedido confirmado” e “saiu para entrega” pela plataforma oficial (API do WhatsApp Business), existe custo por mensagem. Pela documentação de preços da Meta (atualizada em 10/09/2026 e lida em 27/09/2026), a partir de 1º de outubro de 2026 a Meta passa a cobrar as mensagens de serviço com as mesmas tarifas de utilidade e autenticação, com um nível gratuito compartilhado de mil mensagens de serviço entregues por mês em cada número. A mesma página informa que as mensagens de modelo de utilidade enviadas em resposta ao usuário, dentro da janela de 24 horas, voltam a ser cobradas nessa data (Confirmado). Na tabela em reais da Meta conferida em 01/09/2026, a mensagem de serviço, de utilidade e de autenticação no Brasil custa R$ 0,0350 por mensagem entregue, e a de marketing, R$ 0,3217 (Confirmado). Um detalhe que muda a conta: mensagem de serviço só pode ser enviada dentro da janela de 24 horas aberta por uma mensagem do cliente, e fora dela o único tipo permitido é a mensagem de modelo, segundo a mesma página (Confirmado). Como o pedido feito no site não abre essa janela, o aviso de status enviado sem o cliente ter escrito tende a ser um modelo de utilidade, cobrado por mensagem e fora do nível gratuito de serviço. Em conta: duas mensagens por pedido a R$ 0,0350 dão R$ 0,07 por pedido.
Leitura nossa: para a maioria das lojas pequenas, o acompanhamento na própria página do pedido resolve o “meu pedido já saiu?” sem custo de mensagem. Automação pela API faz sentido quando o volume justifica e a conta foi feita antes.
Como o cliente chega ao sistema?
Pelo Instagram, pela base de clientes e pelo Google. Neste último há um atalho oficial: segundo a Ajuda do Perfil da Empresa no Google, o restaurante pode adicionar links personalizados de “Fazer um pedido” que levam o cliente a outra página da web, inclusive o seu próprio site, e esses links aparecem no perfil, na Pesquisa e no Maps (Confirmado). É o lugar certo para o link do sistema próprio.
O outro caminho é anúncio. Na nossa operação de tráfego pago para delivery, o CPA fica entre R$ 2 e R$ 3 por pedido, e numa rede com três unidades o ROI médio ficou acima de 30x ao longo de 44 semanas. Leitura nossa: anúncio que leva o clique para uma conversa manual depende de alguém responder a tempo; um link que leva direto ao pedido tira essa etapa do caminho. Para dimensionar a verba, veja quanto custa tráfego pago.
O que a lei pede de um pedido on-line?
Pedido feito pelo seu site é contratação no comércio eletrônico, e o Decreto 7.962/2013 vale para ele (Confirmado). Para delivery, os pontos que mais pesam:
- Nome empresarial, CNPJ e endereço físico e eletrônico visíveis na página (art. 2º, I e II).
- Despesas adicionais discriminadas no preço, como a taxa de entrega, e as condições da oferta, incluindo formas de pagamento e prazo de entrega (art. 2º, IV e V).
- Resumo antes de fechar, ferramenta para corrigir erro antes de finalizar e confirmação imediata do pedido (art. 4º, I a III).
- Mecanismos de segurança eficazes para pagamento e dados do cliente (art. 4º, VII).
Na prática, um checkout que mostra o resumo com a taxa de entrega antes do botão final e manda a confirmação na hora já cobre boa parte disso.
Para quem serve um sistema de delivery próprio, e para quem ainda não serve?
O critério que usamos: você já tem pedido recorrente e um jeito de levar cliente até o seu link?
Serve para quem já recebe pedidos com frequência pelo WhatsApp e está perdendo tempo (e pedido) no atendimento manual; para quem vende também por marketplace e quer um canal para o cliente que já conhece a casa; e para quem vai investir em anúncio e precisa que o clique vire pedido sem conversa no meio.
Ainda não serve para quem está abrindo e não tem nenhuma demanda: o canal próprio não traz cliente sozinho, e o marketplace ajuda a ser descoberto no começo. Também não serve se ninguém vai cuidar do cardápio: item em falta que continua à venda gera cancelamento e reclamação.
Leitura nossa: não é uma escolha entre marketplace e canal próprio. O desenho que costuma funcionar é o marketplace como vitrine para cliente novo e o canal próprio para o cliente que volta, com um motivo para ele pedir direto. O que o marketplace cobra de cada pedido, e como isso entra na margem, está explicado em taxa do iFood.
O que perguntar antes de contratar um sistema de delivery?
| Pergunta | Por que importa |
|---|---|
| A cobrança é por mensalidade ou por pedido? | Percentual por pedido cresce junto com a sua venda |
| Os dados dos clientes podem ser exportados? | Se trocar de sistema, a base precisa ir junto |
| O cardápio roda no meu domínio? | Link no seu endereço é patrimônio seu, e é o que você coloca no Google |
| Tem Pix com QR Code e copia e cola, com identificação do pedido? | Evita conferência manual de comprovante |
| Imprime automático na minha impressora? | Compatibilidade com o modelo e a largura da bobina |
| Tem taxa por bairro, retirada, consumo no local e agendamento? | Cada canal fora do sistema é uma fila paralela |
| Tem painel da cozinha com alerta e PDV de balcão? | Todos os pedidos numa fila só |
| As mensagens de WhatsApp são pela API oficial? Quem paga? | Custo por mensagem desde outubro de 2026 |
O custo de montar o site de pedidos no seu domínio segue as faixas do nosso pilar quanto custa criar um site.
Perguntas frequentes
O que é um sistema de delivery?
É o software que recebe o pedido pelo link próprio da loja, calcula a taxa de entrega, recebe o pagamento, avisa a cozinha com alerta, imprime a comanda e mostra ao cliente o status do pedido até a entrega.
Qual a diferença entre sistema de delivery próprio e marketplace?
No sistema próprio, o pedido chega pelo seu link, os dados do cliente ficam na sua base e o custo depende do contrato com o fornecedor do sistema, por mensalidade ou por pedido. No marketplace, a plataforma traz o cliente e cobra por pedido, e o relacionamento fica em boa parte com ela. Muitas lojas usam os dois.
Um sistema de delivery precisa ter Pix copia e cola?
Sim. O Manual de Padrões para Iniciação do Pix, do Banco Central, explica que ler o QR Code é impraticável quando a compra é feita no próprio celular, e o copia e cola foi pensado para esse caso. Como quase todo pedido de delivery é feito no celular, faz diferença.
O sistema de delivery imprime o pedido sozinho?
Um bom sistema imprime automaticamente na impressora térmica quando o pedido é confirmado, com via da cozinha e via da entrega. Confira se ele tem layout para a largura da bobina da sua impressora e se funciona com o seu modelo.
Mandar status do pedido pelo WhatsApp tem custo?
Pelo aplicativo WhatsApp Business, que é gratuito, não. Pela API oficial, sim: a partir de 1º de outubro de 2026 a Meta cobra mensagens de serviço depois de um nível gratuito de mil por mês em cada número (R$ 0,0350 por mensagem de serviço no Brasil, na tabela conferida em 01/09/2026), e volta a cobrar modelos de utilidade enviados dentro da janela de 24 horas. Aviso de status mandado sem o cliente ter escrito é modelo, cobrado por mensagem.
Como colocar o link do sistema de delivery no Google?
No Perfil da Empresa no Google, o restaurante pode adicionar links personalizados de “Fazer um pedido” que levam a outra página da web, como o seu site de pedidos. Eles aparecem no perfil, na Pesquisa e no Maps.
Quer montar o seu canal próprio de pedidos?
Montamos o site de pedidos no seu domínio, com cardápio, taxa por bairro e Pix, e ligamos o anúncio direto nele, com a medição de pedido por origem. Na nossa operação de tráfego pago para delivery, o CPA fica entre R$ 2 e R$ 3 por pedido.
Fontes
- Banco Central do Brasil, o que é o Pix
- Banco Central do Brasil, Manual de Padrões para Iniciação do Pix (PDF)
- web.dev, o que são PWAs
- Central de Ajuda do WhatsApp, como usar o recurso clique para conversa
- Central de Ajuda do WhatsApp, sobre os produtos do WhatsApp Business
- Meta for Developers, preços da WhatsApp Business Platform
- Ajuda do Perfil da Empresa no Google, gerenciar opções de pedido on-line
- Decreto 7.962/2013, contratação no comércio eletrônico (Planalto)